Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

E

.Quando o sol se põe

Fecho os olhos para te encontrar

Escorrer até desaguar talvez no teu olhar 

 

O sal que perdura

O sal que abre as feridas 

Que as carcome e enche de luz e memórias

 

Rosa-dos-ventos sanguinária e afiada 

Que abre caminho através pela carne rumo aos ossos 

Às pedras que nos compõe

 

Sobre ti repousa um véu de cinza sepulcral

Brota do chão uma frondosa rosa bordada pela solidão.


publicado por Buraco Negro às 00:04
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Segunda-feira, 27 de Março de 2017

W

.Saudade

Sol escorre até se abrigar nas agruras do mar

 

Um gesto tingido por agonia

Uma lágrima banhada pelo sol esparso

Uma lâmina apontada aos primórdios da dor

 

Nada mais ser que a cinza que perdura entre as estrelas 

O pó que banha a imensidão

Solidão 

 

Acordar

Erguer-me para cair outra vez

Mostra-me tudo o tens no teu olhar

Da doçura da candura

Ao sal que perdura.


publicado por Buraco Negro às 20:18
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016

S

.Sal que me percorre as veias

Rumo ao sul

S

Coração que bate pesaroso

Salgado

Mar temperado

Com mágoas

Crispado e revolto até ao fim

S

Pobre e frágil a barca

Que me serve de caixão

Suspenso

Atordoado

Num éter-salvação

S

Sal que transformas numa chaga

Este meu corpo degradado

S

Embala-me

Com a serenidade que precede uma tempestade

Devolve-me

Perene a florir liberdade.


publicado por Buraco Negro às 17:59
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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

N

.Outrora

N

Escorrem os dias

Desde que perdi o Norte

Corre um rio dentro de mim

Revolto e crispado

Onde perduram diluídos numa massa infinda

Os restos de mim

N

Recordo-me

Ergo pensamentos

Que se esvanecem dentro de mim

Luto, ergo-me e agito-me

Rio desgovernado que jaz na foz

N

Sento-me

Penso e recordo

A pureza translúcida dos olhos da minha Mãe.


publicado por Buraco Negro às 20:44
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Mestre

.Os meus ossos

São um bosque de carvalhos enlutados

 

A chuva que cai

São águas revoltas 

Que chovem do meu coração

 

Perdi a conta às noites em que me perco

Ansioso por te reencontrar algures nas pregas do tempo

Vagueio pela cidade que jurámos conquistar

Arrepio-me com a aragem que faz as folhas caídas voar

 

Estranho,

Assombração

Injecta-me uma faca rumo ao coração

Preciso de o sentir a rebentar

Com a força com que a tua mão outrora agarrou a minha

Sentir, talvez, a vida a brotar

Por entre espasmos

Tão belos quanto condenados

 

Sento-me a escutar o silêncio cantado pelos sonhadores

Nunca partas, jamais deixes de me atormentar.


publicado por Buraco Negro às 01:49
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