Terça-feira, 7 de Julho de 2015

Discos da Minha Vida: "Extinct" dos Moonspell

 

 

Aguardada há anos pela chegada deste disco! A frase exclamativa anterior pode parecer exagerada e pueril, ainda para mais quando associada a um disco que foi lançada há escasso tempo, no entanto transmite fielmente aquilo que senti e sinto ao escutar este disco.

Tenho por regra deixar envelhecer e maturar os discos até os classificar como definitivos, contudo desta vez vejo-me forçado a renegar tal princípio pois, como já escrevi acima, aguardava a chegada deste disco desde 2003. Quem ainda tem paciência para acompanhar este blogue, certamente se recordará, que o meu disco preferido dos Moonspell tem por nome Antidote, pelo que desde essa altura aguardo a chegada de algo capaz de me provocar um vendaval da mesma magnitude. Por favor não interpretem o que atrás escrevi como uma desclassificação de obras como: Memorial, Night Eternal e Alpha Noir / Omega White, estimo imenso esse trilho de álbuns, contudo há algo neste Extinct que me agarrou com a voragem daqueles amores arrebatadores... Secretamente, aguardava que os Moonspell assumissem uma toada mais gótica, não obviamente aquela onda merdosa e delicodoce que arruinou a reputação do estilo, refiro-me a algo a remeter para os anos 70 / 80 e 90 com aromas a remeter para algo compreendido entre Bauhaus /  Peter Murphy até Tiamat / Paradise Lost pincelado com uns pormenores mediterrânicos, tocado por artistas no topo de forma. Há algo de profundamente romântico neste disco ao trilhar, com ainda maior assertividade, um quadro sonoro que remete para o passado mas renovado à custa de um percurso de vida repleto de brilho, mas também de sombra, pautado pela persistência e por duros anos de luta que redundaram num disco comovente repleto de cicatrizes, mas que também ajuda a cicatrizar...

 

 


publicado por Buraco Negro às 00:57
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Discos da Minha Vida: "Antidote" dos Moonspell

 

Em variadíssimas ocasiões surge a questão: qual o disco da tua [minha vida]? Confesso que esta questão tem no meu caso uma resposta em constante mutação. No entanto, o disco em epígrafe muitas vezes me ocorre como resposta à sacramental questão.

 

Se há algo que considero essencial num disco fora de norma é um alinhamento e, mais do que isso, uma estrutura interna que consiga potenciar as músicas e fazer as mesmas valer como um todo cujo o resultado da soma é maior que a adição das mesmas. O início do álbum é um autêntico vulcão de magma metálico, que se vai transmutando até se tornar numa névoa reflexiva e perturbadoramente duradoura.

 

A poesia em minha opinião não deve ser um mero adorno da música mas o recheio, o âmago e catalisador da música. Neste caso em particular são nos servidos poemas que afloram com inteligência, erudição e intensidade temáticas que passam pela metafísica, mitologia, morte, filosofia e mitologia.

 

Estamos perante uma obra que apesar de profundamente humana e humanista [passe o aparente pleonasmo] consegue remeter-nos para um estado de consciência que augura o divino, mas que ao mesmo tempo nos faz sentir até ao osso a finitude que somos feitos.


publicado por Buraco Negro às 23:46
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

I'll See You In My Dreams dos Moonspell

Os Moonspell a interpretarem um standard de Jazz para um público zombie esfomeado, vindo directamente da primeira curta de terror portuguesa só poderia resultar neste pungente magma metálico.


Ideal para visionar e entranhar antes de dormir. Bons sonhos para uns e bom manjar para os remanescentes.

 


publicado por Buraco Negro às 22:57
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Discos da minha viva: "Isolationist" dos Thragedium

 

Se há banda que encarna na perfeição o universal mito do encoberto são os Thragedium. Em 2001 fizeram a sua estreia com o magistral "Theatrum XXI" um EP que acabou por se tornar num álbum. Partindo de uma base musical que tanto bebe do Doom / Gotic Metal como de uma primordial alma folclórica [não tenhamos medo da palavra] de raiz portuguesa, os Thragedium souberam construir um som único e apaixonante. Não posso deixar de fazer uma referência à última faixa "Espírito do Tejo" onde Fernando Ribeiro declama Fernando Pessoa acompanhado por um lamento de uma guitarra portuguesa e pelo pulsar das águas do sepulcro da tágides.

 
Corria o ano de 2003 quando foi lançado, em formato electrónico o seu segundo opus de seu nome "Isolationist", que acrescente-se pode ser legalmente descarregado aqui. Nessa altura, foi prometido que seria lançada uma versão em CD do álbum contendo arranjos orquestrais (que penso corresponderem às versões das músicas que se podem ouvir no myspace da banda). Infelizmente, tal promessa não se veio a concretizar levando a que os Thragedium se tenham tornado um mito e uma promessa que será desvelada numa salina manhã de nevoeiro…
 
No entanto, não posso deixar de tecer mais algumas considerações acerca da versão electrónica do álbum nos cerca de 1000 caracteres que me separam do fim deste texto. Em "Isolationist" temos uns Thragedium a fazer um uso ainda mais esclarecido das suas capacidades criativas servindo-nos um som facilmente identificável que a espaços evoca a genialidade dos seminais MCD e CD "Under the Monspell" e "Wolfheart" dos Moonspell.
 
 Desde os primeiros segundos de audição que nos apercebemos de um rasto de melancolia e nostalgia que se adensa ao ponto de nos sentirmos emocionados e tocados por esses sentimentos universais, que os portugueses tiveram o condão de reclamar para si e como ninguém sabem expressar. Não posso deixar de elogiar a perfeita integração de três universos que muitas vezes se revelam antagónicos: a electricidade arrepiante numa dança diabólica com a quentura dos instrumentos étnicos temperada com um acetinado tempero clássico. Não desfazendo do vocalista e dos restantes músicos destacoa a contribuição como voz de apoio por parte de Fernando Ribeiro e do seu magnânimo e facilmente identificável estilo vocal, que na faixa "Bloodline" se transforma em voz principal, numa interpretação arrepiante até ao limiar dos quarks.
 
Vou ouvir os Thragedium e fechar nos olhos as brumas do futuro...

 


publicado por Buraco Negro às 18:18
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

O Buraco na opinião- Câmara Escura

Ontem, no programa "Câmara Clara" da 2: conversava-se acerca do sucesso dos portugueses no mundo dentro do Mundo que é a cultura. Como convidados tínhamos duas sumidades: Inês Pedrosa (as senhoras primeiro) e Artur Pizarro. Uma escritora e um pianista de sucesso. Duas pessoas que estabeleceram um interessante dialogam com a interlocutora. Interessante a conversa apesar da banalidade das palavras com que a descrevo. A certa altura, é visionado um vídeo dos Moonspell creditado com "Everything Invaded", mas que na realidade se chama "Nocturna" (belo vídeo por sinal). Duas coisas a reter:
- Alguém não fez o trabalho de casa ou fê-lo mal, mas errar é humano e afinal o vídeo era mesmo dos Moonspell.
-Por outro lado, a apresentadora referiu-os como uma banda que tem um sucesso massivo na Alemanha (as palavras creio que não foram estas, mas o sentido será aproximado). Ora, isto denota uma certa imprecisão natural e desculpável, embora de certo modo preocupante (para mim de certeza que não).
Mas, o que foi deliciosamente delicioso foi ver a cara dos convivas, uma cara nauseada e enojada (peço desculpa se estou enganado). Um desdém, foi a réplica de um dos convivas que disse que a Alemanha era um mercado (cultural entenda-se) aberto a especificidades e, pareceu-me, que disse isso num tom redutor... Ora, nem vou escrever acerca estratificação entre alta cultura e baixa cultura. Nem vou fazer o perverso jogo de procurar o número de referências, num motor de busca, a cada uma das pessoas e banda em análise (em verdade fi-lo, mas não o transcrevo).
Deixando-me de banalidades, o que quero escrever é que me irrita o olhar que certas personalidades - não necessariamente das que acima falo, pois posso estar enganado - fazem perante o Heavy Metal. Irrita-me a arrogância, mas não me dói. Não me dói porque, em verdade, o que interessa é a minha paixão confessada a essa forma de cultura subterrânea e libertária. A esse mundo que nem todos compreendem (nem precisam de compreender) e que nem todos respeitam (talvez o devessem fazer por mera cortesia).
Apraz-me referir José Luís Peixoto, o escritor que gosta de Heavy Metal, que compreende a sua natureza e que não tem vergonha em o assumir. É de bom tom perceber, que entre as letras de José Luís Peixoto cabe a arte, a beleza e o negro som. É bom ouvir Metal e Moonspell em particular. É bom sentir que quando o som brota das colunas sou livre na minha opaca fruição.
sinto-me: \m/
música: "Antidote" dos Moonspell

publicado por Buraco Negro às 00:15
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