Sábado, 1 de Setembro de 2007

Mãe

.Mãe

Bebo a morte de teus peitos vácuos

Sequioso por vida

Recebo um veneno maternal

 

Não tens culpa

Eu não tenho culpa

A minha fome não é saber de quem é a culpa

 

Mãe

 Escorrem-te rios pelos olhos

Rios de lágrimas navegadas por sangue cristalino

Morro junto ao teu peito

Embalado pelo teu dolente coração

 

Fim

Da Vida

Também do Sofrimento

[sobretudo do sofrimento]

 

Há esperança

Quem sabe

Não é dela que me posso alimentar

 

Mãe

Sucumbo à fome

Para sempre alimentado pelo teu olhar.


publicado por Buraco Negro às 23:21
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