Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

No lugar onde o cabeço penetra o céu

.Nos ventos que se desprendem

No lugar onde o cabeço penetra o céu

Viaja o perfume-fátuo de deuses

Entronizados por uma sábia forma de morte

 

Sobe,

Desce ao fundo de ti

Violenta tudo o que te resta

Despoja-te

 

[até ao limiar que para os outros seria morrer]

 

Parte com o vento

De encontro ao azul

Que jaz ao Sul.


publicado por Buraco Negro às 21:28
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Domingo, 27 de Abril de 2008

No sangue que morre até ao coração

.Nos ventos lentos

Que arrepiam a cidade

Viajam os pedaços últimos de ti

Perdidos e achados para sempre


No fim de tarde que se afasta

Respiro até ao fim partículas escassas de ti

Arrastando a tua morte até ao fundo da minha


Adivinho-te pelas estrelas

Imagino um sorriso, um abraço

Tão verdadeiros como a mentira de não os ter


Procuro cicatrizes profundas

Onde possa escrever a minha dor

Germinando-a no sangue que morre até ao coração.


publicado por Buraco Negro às 17:52
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Gostava de chorar como um rio

.No momento denso

Em que repousa o fim


No instante último

Amarelado pelas memórias

Desprende-se um quebradiço pedaço de mim


Nessa noite

[Aquela em que sempre te conhecerei]

De flores de papel

Dissolvendo-se num fogo fátuo


As cordas que seguram as estrelas

Urdem um pesaroso lamento

Concebido na véspera de mim


Gostava de chorar como um rio

De na minha aflição beber a terra que te cobre

Extasiar-me de ti

Finalmente, finar-me docemente abraçado a ti.


publicado por Buraco Negro às 21:30
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Criança que fui


.Procuro em mim a criança que fui
Que não sou

Espelho:
? Onde estão meus olhos húmidos
? Onde está a esperança dos meus olhos
? Onde estou eu afinal

Luz que foges de mim
Que brincas comigo nesse teu bruxulear

Luz moribunda ao fim destes anos

Recordo as ruas
Brinquedos
Pessoas
Livros infantilmente felizes
Nevoeiro distante
Luz cintilante que desponta de meu coração

Recordo os corredores da minha infância
Os jardins imensos
Da minha cidade de luz
Opacas memórias a pintarem de azul este céu inevitavelmente cinzento

Sentado nesse jardim sou
Sem ser
O que fui outrora.

publicado por Buraco Negro às 23:05
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Letargo abismal

.Noite adormecida
Às mãos do Homem
Segredos Escondidos
Entre as trevas da luz

Dormes na luz
Letargo abismal
Dormes num berço de espinhos
Embalado pela fortuna
No quarto da morte

Nos corredores
Que percorres sem correr
Com olhos de Criança
Na tua solidão

Lá:
Podes sorver a evidência
A venenosa clarividência
Estás só mas és uma multidã
o.

publicado por Buraco Negro às 18:35
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o Buraco


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