Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

O meu quarto iluminado por estrelas dormentes

.Arrasto a minha vida pelas ruas
Pesa-me a cada passo
Solta-se a cada passo
Perdendo-se aos poucos pelos interstícios da calçada

 

O frio abranda o meu coração
Adormece o meu corpo
Torna-me a respiração pesarosa
Aperto retalhos desfigurados e sujos contra o corpo
Consigo sentir o frio a dormitar em redor da minha pele


Renego os sonhos
Esmago-os num ritual de sobrevivência
Por vezes vislumbro a demência
Entre o espasmo e a intermitência


Acordo com as ruas
Abandono o nada que me resta
Erro por entre a solidão-multidão

Procuro, mato e como os despojos
Regresso ao meu quarto iluminado por estrelas
dormentes.


publicado por Buraco Negro às 22:16
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2 comentários:
De Fátima Soares a 26 de Novembro de 2012 às 22:52
Se me dá licença de comentar e quiçá perturbar a sua paz, direi que assim me sinto. Como se existisse uma fera que me come por dentro e vomita, para consumir de novo. Eu mesma estou dormente e na minha noite não há sequer estrelas, mas há o que me é imprescindível. A noite. E o cansaço de tudo. Aforei o poema. Obrigado por ele. Perdoe-me a incursão por estes dias tento não me manifestar ou intervir, mas gostei muito e revi-me no desespero. No fim... da linha.


De Buraco Negro a 26 de Novembro de 2012 às 23:47
Todos os comentários, se pertinentes, são sempre bem vindos para iluminar este antro de desolação. Um bem-haja pela visita, volte sempre.


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o Buraco


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