Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Discos da minha viva: "Isolationist" dos Thragedium

 

Se há banda que encarna na perfeição o universal mito do encoberto são os Thragedium. Em 2001 fizeram a sua estreia com o magistral "Theatrum XXI" um EP que acabou por se tornar num álbum. Partindo de uma base musical que tanto bebe do Doom / Gotic Metal como de uma primordial alma folclórica [não tenhamos medo da palavra] de raiz portuguesa, os Thragedium souberam construir um som único e apaixonante. Não posso deixar de fazer uma referência à última faixa "Espírito do Tejo" onde Fernando Ribeiro declama Fernando Pessoa acompanhado por um lamento de uma guitarra portuguesa e pelo pulsar das águas do sepulcro da tágides.

 
Corria o ano de 2003 quando foi lançado, em formato electrónico o seu segundo opus de seu nome "Isolationist", que acrescente-se pode ser legalmente descarregado aqui. Nessa altura, foi prometido que seria lançada uma versão em CD do álbum contendo arranjos orquestrais (que penso corresponderem às versões das músicas que se podem ouvir no myspace da banda). Infelizmente, tal promessa não se veio a concretizar levando a que os Thragedium se tenham tornado um mito e uma promessa que será desvelada numa salina manhã de nevoeiro…
 
No entanto, não posso deixar de tecer mais algumas considerações acerca da versão electrónica do álbum nos cerca de 1000 caracteres que me separam do fim deste texto. Em "Isolationist" temos uns Thragedium a fazer um uso ainda mais esclarecido das suas capacidades criativas servindo-nos um som facilmente identificável que a espaços evoca a genialidade dos seminais MCD e CD "Under the Monspell" e "Wolfheart" dos Moonspell.
 
 Desde os primeiros segundos de audição que nos apercebemos de um rasto de melancolia e nostalgia que se adensa ao ponto de nos sentirmos emocionados e tocados por esses sentimentos universais, que os portugueses tiveram o condão de reclamar para si e como ninguém sabem expressar. Não posso deixar de elogiar a perfeita integração de três universos que muitas vezes se revelam antagónicos: a electricidade arrepiante numa dança diabólica com a quentura dos instrumentos étnicos temperada com um acetinado tempero clássico. Não desfazendo do vocalista e dos restantes músicos destacoa a contribuição como voz de apoio por parte de Fernando Ribeiro e do seu magnânimo e facilmente identificável estilo vocal, que na faixa "Bloodline" se transforma em voz principal, numa interpretação arrepiante até ao limiar dos quarks.
 
Vou ouvir os Thragedium e fechar nos olhos as brumas do futuro...

 


publicado por Buraco Negro às 18:18
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