.Uma porta
Um nascer de sol
Pele dura e estaladiça
depois de uma noite de sal
Sentado espero
A viagem de uma vida
Imóvel
Fixo
inebriado por uma espiral de momento
Gosto de palavras incertas
De beijos coreografados
em frente a espelhos estilhaçados.
.Um bater de portas
Faz espoletar noite
Sento-me, fecho-me e
tombo
Dispo a mortalha
Rasgo a máscara
que me contamina para além da pele
Frio,
Inverno-Inferno
Acordar para a vida.
O corolário da demência, os píncaros da insanidade:
Sabe mesmo bem ouvir isto.
.A essência do meu ser
Derramada em loucura
A vontade de existir
Nada mais que nula
Desta amargura estou farto de beber
No ódio conter a candura
Saber que a vida
É um mal que perdura
Adormecer esta dormência
Que toma conta de mim
Regra, repetição e recorrência
Curta metragem do meu
FIM.
.Desço ao teu pedestal
de Deusa carcomida pela tempestade
Carne tenra construída sobre ossos nascidos para serem pó
Morre e celebra comigo a aurora dos dias tristonhos.