Brisa suave que se sossega na minha pele
Sonho cristalino a amolecer
As palavras que para sempre perderei
Não há manhã
Sorriso triste esquecido nos lábios de uma criança
Escavo a casca do tempo
Na ilusão de encontrar
Quem sabe a florir pelo lado de dentro
A sede que me está a consumir.
.Tudo para te dizer
Oceanos infindos para galgar
Para talvez [por fim] te encontrar
Corpo inanimado,
Sopro sobre ti o pó das estrelas
criatura de luz
Frio invernal
que teima em apagar as brasas que te aquecem o coração
Cegueira branca
que é Dezembro temperado com predestinação
Algo palpita,
Algo faz estremecer
o meu corpo de assombração
Flores doces vêm-me à memória
Chispas fugazes serpenteiam pela tua pele
num rio de vida que que acabará [como tudo] por cessar
Amarga é a candura com que [sempre] te irei recordar.
.Quando o vento sossegar
... Deixar de levar as páginas onde tento escrever
Haverei de cinzelar na pedra este negro traço
Receberei a noite com um sentido abraço
Não sei por onde remar
Por onde começar a desfiar este tormento
Mar de memórias tormentosas que me salga carne
Corrói os ossos que sustentam a minha lucidez
Sei [que por fim] te irei encontrar
Nas pedras que nascem da terra
Ossários de destino comum
Sei [que no fim] quando te tocar
O Vento vai inflamar as velas
Que fazem navegar meu coração encalhado
Mortificar [até que enfim] este pescoço de dependurado.